quinta-feira, 7 de abril de 2016

Antibiótico


antibiótico 
adj (anti+bio+t+ico) 
1. Que tende a impedir ou inibir a vida, ou produzir a morte. 
2. Relativo ou pertencente à antibiose. 
3. Substância produzida por célula viva (bactéria, mofo, levedura e outros vegetais) capaz de impedir a proliferação ou de causar a morte de germes patogênicos. Algumas dessas substâncias são também produzidas sinteticamente.

aptidão 
sf (lat aptitudine) 
1. Qualidade que faz com que um objeto seja apto, adequado ou acomodado para certo fim. 
(...)
3. Capacidade para alguma coisa; disposição, habilidade, talento. 
4. Capacidade natural de adquirir conhecimentos ou habilidades motoras, gerais ou específicas, e que se caracteriza segundo o rendimento dessa aquisição. 



Eu nunca tive aptidão para aprender antibioticoterapia. Se meus colegas de faculdade entendiam depois da primeira ou segunda lida no livro texto eu tinha que me esforçar duas ou três vezes mais para saber quais eram gram positivos, como as quinolonas agiam e por qual mecanismo certas bactérias criavam resistência às penicilinas. Acho que eu criava resistência aos antibióticos. Quase sete anos depois suspeito o mecanismo.

Sou movida a lógica. E a desafios, mas o que convém neste insight é o raciocínio. Nunca fui desafiada pelos antibióticos. Para mim eles são como aquele primo mais novo cheio de certezas chatas e entediantes que faz você querer ser grande logo para poder sentar-se à mesa das crianças maiores e falar de assuntos mais sérios, como o paquerinha do colégio.

Nunca entendi, além do óbvio, o porquê do meningococo não reter o cristal violeta na sua parede e o pneumococo sim. Ou a razão do anel carbapenêmico agir bem sobre bactérias gram positivas e negativas. Pra mim não faz sentido. Não é intuitivo. É como decorar datas nas aulas de história. As cefalosporinas são mais eficazes contra gram negativo conforme passam as gerações. Por quê? Em 1 de janeiro de 1886 a Birmânia foi oferecida à Rainha Vitória do Reino Unido. Ah, tá. A Moraxella catarrhalis é o que, afinal? Respondo os autoquestionamentos com um grande bocejo.

Sigo na seleção própria de resistência aos antimicrobianos. E diante das escolhas da vida sempre surge a dúvida: e aí? Cefepime e Vanco ou Pip’e Tazo?

Um comentário:

Unknown disse...

Descobri seu blog tem alguns dias e acompanhei suas pastagens. Continue escrevendo, é muito bom saber que ainda existem pessoas assim no mundo: pessoas normais, com problemas normais. Um beijo. Diogo